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Efeitos de 14 semanas de treinamento de força com periodização linear e ondulatória diária nas variáveis cinemáticas de jovens atletas de natação competitiva

O treinamento de força muscular (TF) tem sido considerado fator primordial, visto que a potência muscular é decisiva no desenvolvimento de nadadores (Trappe et al., 2000; Zampagni et al., 2008, Marinho e Gomes, 1999; Barbosa e Andries Júnior, 2006 e Fig, 2010). 

Porém, um dos pontos mais controversos na prática do TF para atletas de natação está relacionado à influência desse método de treinamento e sua transferência no desempenho do nadador (Marinho e Gomes, 1999). Segundo Newton et al. (2002), deve-se atentar para os níveis de hipertrofia muscular, o que em determinadas situações pode ser prejudicial ao rendimento do nadador. Portanto, evitar tal ocorrência é um dos objetivos da periodização, que inclui a maximização do princípio da sobrecarga e garante melhoria na relação entre estímulo e recuperação (Rhea et al., 2002a). 

Segundo Oliveira, Sequeiros & Dantas (2005), dentre os estudos de periodização os modelos mais investigados são o linear ou tradicional e o de periodização não linear ou ondulatória. O primeiro designa-se por constantes incrementos da carga de treinamento e concomitante redução do volume, dispostos ao longo dos ciclos de treinamento. O modelo não linear ou ondulatório é apresentado por Rhea et al. (2002b) como alterações frequentes no volume e intensidade dos treinamentos com pesos tanto em semanas como em ciclos ou até mesmo com variações diárias. 

Casuística 

Foram incluídos no estudo 17 adolescentes de ambos os sexos, com média de 15,18 ± 2,31 anos, média de massa corporal 57,68 ± 2,39 kg e estatura 166,28 ± 3,15 m, com mais de três anos de prática em programas de treinamento de natação competitiva. No período da pesquisa o volume de treinamento diário variou entre 4.000 e 8.000 metros, conforme o período do programa de treinamento. Todos os procedimentos experimentais desta pesquisa foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu (45.262/2012). Todos os participantes foram instruídos, estavam cientes dos procedimentos dos testes e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido conforme a resolução do Conselho Nacional de Saúde (196/96). 

Protocolos de treinamento 

Os voluntários foram distribuídos em dois grupos: um com periodização linear (GPL) e um com periodização ondulatória (GPOn). 

Os treinamentos de natação foram iguais em ambos os grupos (6x/sem-120 min). O macrociclo de treinamento de piscina teve duração de 18 semanas, tomou por base a continuação dos programas de treinamento que os nadadores já faziam em suas entidades. Após duas semanas de adaptação ao TF com intensidade de treinamento de 15-20 repetições máximas (RM), o GPL aumentou essa intensidade a cada quatro semanas, começou com 10-12 RM para depois passar a trabalhar com 6-8RM e finalizar com a intensidade de 6 RM a 80% de 1RM. O GPOn apresentou alternância dessas intensidades dentro da semana: segunda-feira, 10-12 RM; quarta-feira, 6-8 RM e sexta-feira, 6 RM – 80% de 1 RM. A força muscular máxima (FM) foi predita pelo teste submáximo (Equação de Brzycki) em todos os exercícios treinados em quatro momentos (AV1 = pré-intervenção; AV2 = após seis semanas; AV3 = após 10 semanas; AV4 = após 14 semanas). O treinamento foi organizado em treinos A e B, alternados, repetia-se cada um deles de forma intercalada. Em cada um dos exercícios listados foram feitas três séries (com exceção do período de adaptação, que foi feito em duas séries). 

O número de repetições e o descanso entre as séries e os exercícios foram seguidos de acordo com a intensidade semanal prescrita. Cada repetição teve a duração média de três a quatro segundos, contou com as fases concêntrica e excêntrica. A intensidade semanal dos treinamentos (linear e ondulatório) foi garantida pelo uso de RM em cada semana. As cargas foram reajustadas individualmente nos grupos (GPL e GPOn) para manter as RM programadas a cada microciclo e sessão nos dois modelos de treinamento. 

Avaliação do desempenho de nado 

Os integrantes dos grupos GPL e GPOn tiveram seu desempenho técnico de nado analisado por meio da avaliação dos parâmetros cinemáticos numa tomada de tempo na distância de 100 metros nado Crawl. Foram analisados os parâmetros cinemáticos de FB, CB, VM e IB, consideradas ferramentas eficazes para a avaliação técnica do nado (Costill e Thomas, 1985; Toussaint e Beek, 1992; Wakayoshi et al., 1995; Caputo et al., 2000; Fernandes et al., 2006; Seifert et al., 2010; Ferreira et al., 2012). 

A filmadora foi ajustada para focalizar as marcações feitas nas bordas da piscina conforme o protocolo de análise de provas no formato europeu, proposto por Haljand (2011). O registro do tempo e do número de braçadas dadas pelos sujeitos da amostra foi feito quando a cabeça do nadador atingira as marcações feitas na borda da piscina com contact preto, em um espaço de 10 metros entre as distâncias de 45 e 55 metros em relação à cabeceira de saída nas duas bordas laterais da piscina. 

A técnica de nado representa um papel muito importante dentre os fatores que determinam o desempenho em natação. Dentre esses determinantes, os aspectos biomecânicos (relacionados à manifestação da técnica de nado), destacam-se aqueles relacionados à cinemática do nado: frequência de braçada (FB), comprimento de braçada (CB), velocidade média de nado (VM) e índice de braçada (IB) (Walker, 2002). 

Considerando as escassas evidências desse modelo aplicado em nadadores, o presente estudo tem por objetivo determinar o efeito de um macrociclo de 14 semanas de TF com periodização linear e ondulatória no desempenho através da avaliação cinemática da FB, CB, VM e IB em nadadores jovens de ambos os sexos. 

As diferenças significativas encontradas no momento pré-intervenção nas variáveis de VM, IB e CB entre os grupos dificultaram melhor análise sobre os efeitos das diferentes periodizações. Porém, na análise dos efeitos intragrupos, concluímos que periodização ondulatória propicia efeito de maior magnitude na técnica de nado, devido aos resultados de ES da variável de eficiência de nado (IB), que tem relação direta com a VM e CB; e pelo fato de não ter sido encontrada diferença significativa entre os grupos na FB que poderia ter interferido no desempenho entre os grupos. 

A periodização ondulatória mostrou-se mais eficiente no aumento da VM em distância mais curtas. A periodização linear, por sua vez, parece ser mais eficiente no aumento de resistência muscular, importante para a manutenção e o aumento da VM na segunda metade da prova de 100 m nado crawl.

Gilberto Pivetta Pires, Karina Coelho Pires, Aylton José Figueira Junior 

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